A edição fala de pessoas e colectivos que estão à margem, são marginalizados pela sua óbvia diferença, mas são tão válidos como outras subculturas artísticas. E falo de dois convidados em particular, o Custom Circus, com o seu universo alternativo e pós-apocalíptico e a Ana Gomes com as suas obras de arte muito sui generis, de uma beleza inusitada que nos causa um certo repúdio. Espero sinceramente que se sinta incomodado com o tema desta semana e que esta “viagem” se torne inesquecível. Tudo condimentado com uma banda de sonora de luxo, escolhida para esta ocasião tão especial, os Dead Combo.

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Um mergulho paralelo PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Entrevista
Escrito por Yvette Vieira   
Segunda, 14 Maio 2012 20:24

O custom café é um espaço pós-apocalíptico onde tudo acontece ao mesmo tempo e ninguém fica indiferente. É um mundo estranho, alternativo, que mistura várias artes sincronizadas de forma a criar um imaginário muito especial e dinâmico, criado pelas produções nirvana, em Oeiras.

Como é que começou a aventura do custom café?

Michel Alex: Vamos ter de recuar muitos anos. É uma aventura que começa em 1988, eu e o meu sócio o Rui trabalhávamos para uma companhia nómada francesa chamada “Archaos”, que deu origem a uma linguagem estética e teatral pós-apocalíptica, usada no filme “mad max” e também o “waterworld” do Kevin Kostner. É todo este universo, esta linguagem que está muito ligada ao passado. É um futuro transposto para um mundo em reconstrução onde se vão descobrindo elementos do tal passado industrializado. Os “Archaos”, entretanto, acabaram e começámos a trabalhar com outras companhias de vários países e sempre nos mantivemos fiéis a essa linguagem. Depois encetámos uma parceria com a Daniela e com os “Fúria del Baus”. Ao longo do tempo alimentámos o sonho de fundar a nossa própria companhia e depois de estarmos anos a viajar queríamos conseguir parar e recriar este imaginário onde nós vivemos todos os dias. Sinceramente. Portanto, não somos só artistas no palco. A nossa vida é alimentada por esta linguagem. Vivemos mesmo assim, rodeados pelos camiões, pelas rulotes, por toda esta maquinaria que entra nos nossos espectáculos. Na nossa música, nos filmes, ou seja, tudo isto nos envolve diariamente.

Como é que chegam a Oeiras, voltam para Portugal porquê?

MA: Basicamente voltámos em 2004, por causa do euro, tínhamos vários clientes que estavam ligados ao evento e como fazíamos muitos espectáculos multimédia, de rua e de grandes dimensões tivemos muitas aparições de enorme formato que nos fizeram vir para Portugal. Fui precisamente nessa altura que descobrimos este espaço, era um antigo quartel militar, que estava abandonado completamente em ruínas, foi um acaso.

Quando escolheram esta zona quantos elementos tinham?

MA: Na altura a companhia tinha 30 pessoas, actualmente somos 12, embora muitos dos membros derivaram para outros projectos que ainda estão aqui, como sejam as motas personalizadas. Muitos deles trabalhavam connosco na preparação das performances sobre rodas, dos camiões. Dão também nas vistas com as motas, as Harley, vão as concentrações e ganham prémios das “customs bikes”, são artistas, que cada vez tem mais procura. Desenvolveram o seu atelier, o seu nome, a sua marca e obviamente ainda entram nos espectáculos de maior dimensão. Mas, no dia-a-dia dedicam-se ao seu próprio trabalho.

O custom café fica num dos estúdios e os restantes?

MA: Tem muito espaço ao ar livre, que é muito importante para nós para as convenções, para os eventos com as empresas. Tem estacionamento para vários veículos e autocarros. Também para guardar os nossos camiões tir. O custom café tem cerca de 500 metros quadrados.

 
Filmes de abril vistos em maio PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Cinema
Escrito por Yvette Vieira   
Segunda, 14 Maio 2012 20:17

As sessões terão lugar no auditório do Grupo Musical de Miragaia, entre os dias 15 a 19 de Maio.

Os filmes de Abril vistos em Maio, tem, segundo Tiago Afonso e Amarante Abramovici, membros da confederação núcleo de investigação teatral e cultura, este título, porque “quer-se provocador, pois que aqui não veremos o Portugal da Revolução, dos cravos, das chaimites e da organização popular,já que “Brandos Costumes” antecede, e porventura prenuncia o golpe de 25 de Abril, e os restantes quatro filmes são já fruto da ressaca de 1975-76.Veremos sim filmes raros e improváveis, que separadamente e em conjunto nos sugerem um olhar ácido sobre o país mítico e o país real. Filmes lúcidos que talvez nos ajudem a pensar o país de hoje”. Este ciclo de cinema inclui ainda, o trabalho de Solveig Nordlund, intitulado, “Dina e Django”, de 1999. que nos remete para uma juventude perdida, que vai-se desfolhando através da banalidade do quotidiano. “Mudas mudanças” é o períplo de um jovem paralítico pela cidade do Porto, na pós-revolução. É o retrato da uma mudança que marcou toda uma geração para sempre. “O desejado ou as montanhas da lua”, de Paulo Rocha, foca o percurso profissional de um jovem no Portugal de Abril, onde o crise política é o fio condutor de uma série de intrigas e paixões que se cruzam nesse período conturbado e para encerrar com chave de ouro esta mostra de filmes portugueses, é tempo do “bobo”, de José Álvaro Morais, é a adaptação de um romance de Alexandro Herculano, que incide sobre os últimos dias de ensaio de uma peça de teatro, no velho estudio da Lisboa filme. É uma longa-metragem sobre as peripécias actuais misturadas com o passado e que ao mesmo tempo procura um confronto com a realidade vivida pelos artistas. Foi o primeiro trabalho deste realizador, que enfrentou inúmeros problemas financeiros até a sua conclusão. Como o país em que vivemos.

 
A alienígena PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Arte & Design
Escrito por Yvette Vieira   
Segunda, 14 Maio 2012 20:12

É uma jovem artista que procura o confronto pela forma como interpreta o mundo nas suas obras. A sua arte possui uma dinâmica dualista que inspira horror e ao mesmo tempo inspira uma grande beleza estilística. Gera repulsa, mas atraí o observador para uma narrativa surrealista, plena de carácter.

Como defines o teu universo artístico?

Ana Gomes: É baseado naquilo que vejo e interpreto. No que esta à minha volta. Não penso demasiado em conceitos, ou em teorias. Eu gosto de perceber o que esta em meu redor, o que me pode trazer e o que me parece que deve ser. Se vejo uma pessoa, por exemplo, com ar mais fora do vulgar, com uma expressão ou postura diferente, tudo isso me transmite emoções e uma imagem que depois tento passar para os meus trabalhos. Gosto de criar uma narrativa em volta das personagens, com a cor, com a composição. Às vezes são literais, outras não. Deixo ao observador.

Muitas das tuas personagens tem características retiradas de insectos. Lembram esses pequenos animais, mas ampliados.

AG: Sim, adoro insectos. São as criaturas mais alienígenas que temos no nosso planeta. Ao vê-los a olho nu não conseguimos perceber como eles são. Realmente, nessas fotografias de que falas, há milhares de coisas, olhos, pelo, carapaças e articulações diferentes.

Tu fazes uma pesquisa detalhada então?

AG; Sim, estou constantemente a pesquisar animais estranhos, insectos que são descobertos recentemente. Sobretudo, uso essas imagens para tirar ideias. São baseadas no mundo real.

Verifico que ilustras muitas capas para álbuns de bandas. Como é que surgem estes convites?

AG: Quando principiei a trabalhar com bandas, nomeadamente os Karnak Seti, tudo começou porque eu conhecia alguns membros e eles gostavam das minhas ilustrações, por isso, comecei a desenvolver um trabalho em conjunto. Eles deram-me muita liberdade criativa, porque gostavam muito do meu imaginário e do meu traço. A partir daí comecei a fazer ilustrações para eles. Depois foi uma sequência. Outras bandas viram esses trabalhos, os meus portfolios online e entravam em contacto comigo.

Actualizado em Segunda, 14 Maio 2012 20:17
 
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