A Look at the Portuguese World

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Yvette Vieira

Yvette Vieira

Wednesday, 13 November 2019 16:03

Em suspenso

 

Jacinto Rodrigues apresenta um conjunto esculturas que reflete um período de tempo de dois anos, que se traduzem numa orgânica associada aos regionalismos e que também representam uma evolução natural do seu trabalho artístico. Uma exposição para ser vista até 6 de dezembro, no Teatro Baltazar Dias.

 Maria Fernandes, a escritora, na sua introdução sobre este conjunto escultórico refere “É uma suspensão do movimento, a impressão que causa o estender do olhar pelo conjunto escultórico que se nos apresenta. Uma verdadeira acepção da insustentabilidade da sombra que se alonga, serpenteando por entre a forja da verdade da matéria. Nas idas ao Norte para o conhecimento da profundidade das sombras, pide saber que a promessa era a possibilidade da Poesia.”

O escultor sobre esta exposição elucida,“A minha ideia inicial era concretizar uma homenagem à ilha da Madeira em pedra, contemporânea, atual, uma peça muito grande, queria que fosse um monumento, como não foi possível, tornou-se então numa linguagem, que atravessa todas as peças na exposição, porque eu não gosto de misturas. O desafio nunca é técnico, é mais o encontrar condições e um espaço, porque idealizar e concretizar estas peças no espaço de tempo de dois anos, se isto não é coragem, então, eu não sei o que é”.
“Em suspenso é apenas o título é captar o movimento de um tecido, tem a ver comigo, com o meu percurso e com quem eu sou como artista. As peças têm um toque de regionalismo, por isso é tecido, com bordados madeira”.

 

 "As peças em madeira começaram com um cedro do Líbano e uma acácia da Austrália, são árvores que morreram no grande incêndio do Funchal, era para ser uma exposição só em pedra, mas como ocorreu esta possibilidade passei a usar madeira e ferro".

 

As três peças representam quadros cobertos em tecido, daí a libertação da forma geométrica que é ocultada ao mesmo tempo.

Ainda sobre o trabalho de Jacinto Rodrigues, a poetisa, acrescenta " Há no conjunto, uma provocação sensorial: a suavidade latente convidando à carícia, ao toque das peças. como se para verificar o tecido (se seda, se linho, se o quê), ou secar as mãos, afagar o rosto e em tudo isto, observar a luta intrinseca entre a leveza final alcançada e a rudeza da matéria domada pela mão e mente do criador". 

Tuesday, 05 November 2019 16:18

Sophia, parabéns!

“Musa ensina-me o canto
Venerável e antigo
O canto para todos
Por todos entendido
Musa ensina-me o canto
O justo irmão das coisas
Incendiador da noite
E na tarde secreto
Musa ensina-me o canto
Em que eu mesma regresso
Sem demora e sem pressa
Tornada planta ou pedra
Ou tornada parede
Da casa primitiva
Ou tornada murmúrio
Do mar que a cercava…”


Se Sophia de Mello e Breyner estivesse viva hoje celebraria cem anos de existência e para comemorar a efeméride do nascimento da poetisa e escritora abordo um dos seus livros de poesia, o livro Sexto, de onde sublinho um poema “Musa”, que o maestro Jorge Salgueiro musicou para o grupo coral “Setúbal Voz”. Este pequeno compendio poderá não ser um dos seus livros mais conhecidos, mas aborda os seus temas prediletos que atravessam toda à sua poesia, o mar, a natureza, o amor, o efémero e o hétero, sempre acompanhados pela beleza da sua escrita quase delicada. Por norma, não sou leitora de poesia, mas uma das exceções vai para esta maravilhosa escritora que primeiro conheci na minha infância através dos seus livros dedicados aos mais novos e depois chegaram as palavras sob a forma poética. A autora, a lutadora politica e a mulher dedico estas palavras singelas e espero que gostem tanto dela, como eu. Parabéns, Sophia.

Tuesday, 05 November 2019 14:34

P de Pablito de X-tense

Concerto de rapper X-tense, no próximo dia 15 de Novembro, no Time Out Market, para apresentar o novo trabalho P de Pablito.

X-tense. ou Pablo, vem apresentar o seu novo concerto P DE Pablito e contará com a presença de vários convidados: Dave Wolf Rodriguez, Ferry, Amaro, Los Cavakitos e Los Mambleros. "P de Pablito" será também o nome de um EP temático a ser lançado ainda este ano, juntamente com PABLO S01.
Neste concerto X-TENSE irá revisitar "Rosa Dragão" (2018) e dará a conhecer, ao público lisboeta, "PABLO", uma serie musical de Hip-Hop e comédia da autoria de X-Tense que gira em torno do tema do Narcotráfico, ao estilo "Narcos" como alegoria à indústria musical. O projeto conta com a participação de actores, humoristas e rappers.
O ano 2019 têm sido muito produtivo para o rapper da Pontinha com o lançamento dos singles "Asi" , "Bolero", "Hambre" e "Yolanda", que chegaram ao Top 5 do Youtube; com a sua estreia no palco LG by Mega Hits no MEO SUDOESTE e os inúmeros concertos que têm dado pelo país, fazendo com que X-Tense, seja um dos grandes nomes do hip-hop nacional deste ano.

Tuesday, 05 November 2019 14:20

Consumers Trust arranca no Web Summit'19

A quarta edição da Web Summit em Portugal, decorre entre 4 a 7 de novembro no Parque das Nações, em Lisboa. Este ano, a maior cimeira tecnológica do mundo conta com cerca de 70 mil participantes, incluindo mais de 2.000 startups e 1.500 investidores. É no maior evento de empreendedorismo e tecnologia do mundo, a Web Summit, que o Portal da Queixa dá a conhecer a nova marca global, o “Consumers Trust” (CT).


O Portal da Queixa (PQ) internacionaliza-se e cria marca global. Uma aposta internacional que começou num bollycao estragado. O CT passa a ser uma nova rede global de plataformas de consumidores que já deu os primeiros passos em Espanha, com o Libro de Quejas e agora prepara-se para replicar o modelo no mercado africano (África do Sul) com o “Complaints Book”.

O crescimento exponencial e a consolidação do PQ como um dos principais influenciadores nacionais em matéria de consumo, permitiu alcançar um novo posicionamento ao internacionalizar a sua plataforma para outros mercados. Em 2020, está prevista a entrada em Itália, no Reino Unido, na Alemanha, França e Polónia, para mais tarde alargar a rede para fora da Europa.

“A aposta na internacionalização deste projeto único em Portugal e pioneiro na Europa sempre foi o nosso grande objetivo, desde o momento em que decidi avançar com o desenvolvimento da plataforma do Portal da Queixa, em 2009, após um episódio mal resolvido de um bollycao estragado que adquiri para o meu filho, num supermercado. Hoje, somos uma equipa orgulhosa por sentirmos que fomos potenciadores de uma nova forma de relacionamento entre marcas e consumidores, alterando o paradigma de consumo e a visão de grande parte dos gestores de Marketing e de Customer Service. Depois de muita experiência adquirida no caso de sucesso do PQ em Portugal, avançámos muito recentemente para Espanha, onde colocámos online a versão “beta” da plataforma Libro de Quejas. Este passo histórico, permitiu-nos ser a primeira rede social de consumidores do mundo a ser internacional e a levar a criatividade nacional para outros países na Europa.”, refere Pedro Lourenço, CEO do Portal da Queixa e fundador do Consumers Trust.

O CT pretende agregar as classificações de várias marcas em cada mercado em que operam, obtidas por meio de avaliação do tratamento das reclamações, funcionando, deste modo, como um ranking global do Índice de Confiança das marcas.
“Esta plataforma digital representa uma total inovação mundial, por ser a primeira rede global de consumidores, onde a diferenciação está no facto de a relação entre marcas e consumidores assentar na experiência de consumo relatada através de uma reclamação, onde é atribuída a oportunidade de resolução e melhoria contínua, e não apenas por uma opinião normalmente conhecida como “review”, destaca Pedro Lourenço, sustentando que: “Esta alteração comportamental dos consumidores é acompanhada pela evolução tecnológica, que possibilita cada vez mais a pesquisa e partilha de experiências que servem como um guia de consumo mais consciente, atribuindo um enorme potencial de influência a plataformas como o Consumers Trust”, acrescenta o responsável.

Com o claim “In trust we believe”, e disponível online em https://consumerstrust.co/, o Consumers Trust apresenta-se na Web Summit como startup BETA, no Pavilhão 1, (Booth B107). O objetivo da participação no maior evento de empreendedorismo e tecnologia do mundo é promover este projeto global, através do networking com os visitantes, empreendedores e empresas, bem como, captar o interesse de novos investidores internacionais para consolidar o crescimento da operação global.
Enquanto empreendedor, Pedro Lourenço é da opinião que “o maior erro de uma startup é esperar pelo momento certo. Porque não se pode adivinhar o futuro, mas tem que se ter a ousadia de construí-lo. Por conseguinte, estaremos na edição do Web Summit 2019, mostrando que é possível criar novos conceitos globais e inovar em matéria de Customer Experience. Assim, mesmo não ansiando sermos um unicórnio, a nossa visão é termos a possibilidade de potenciar, pelo mundo fora, a melhoria na relação dos consumidores com as marcas, através da transparência e da reputação positiva”, sublinhando a sua convicção: “Estou certo, que a reputação positiva adquirida através do Customer Success, será nos próximos anos, o principal foco das estratégias das marcas. Por isso, estamos a desenvolver ferramentas baseadas em inteligência artificial (IA), que permitirão ajudar as marcas numa tomada de decisão mais assertiva e eficaz, através da análise de dados (Big Data) que recolhemos diariamente, junto das experiências relatadas pelos consumidores.”
De salientar que todas as plataformas da nova da rede global Consumers Trust marcam a sua diferenciação pela fiabilidade da informação publicada, ao registarem os índices de satisfação, rankings, avaliações e estatísticas em blockchain, uma tecnologia que torna imutável e de consulta pública qualquer registo, e que valida os pilares fundamentais da existência do Consumers Trust: verdade, transparência, credibilidade e confiança.

Friday, 01 November 2019 21:48

Filipe Keil no Telheiras ArtFest#3

Filipe Keil em concerto no dia 15 de Novembro, no Telheiras Artfest #3.

Filipe Keil é Cantor, Compositor, Letrista, Produtor Musical e Arquitecto português. O piano foi o primeiro instrumento que o cativou. Aos quatro anos já tocava algumas músicas de ouvido. Aos 15 anos escreveu a sua primeira canção 'Só Quero Um Mundo Melhor' com a qual concorreu ao Festival da Canção Junior. Compôs o seu primeiro trabalho a solo em 2014, o EP Keil.
Em 2019 é seleccionado para fazer parte do Festival da Canção com o tema de sua autoria. No concerto Telheiras Art Fest #3 vai mostrar-nos que é mais do que é o seu repertório: #EletroPo e vamos ouvir alguns dos seus temas como Hoje ou Sombra.

Em Novembro, voltam ao Auditório Orlando Ribeiro os encontros musicais.O Telheiras Art Feest, como nos habituou nas edições anteriores, vem contar musicas de uma maneira diferente, como histórias de encantar, em permanente mutação. Como que inventadas segundo a segundo, vão passando no tempo e a cada segundo volvente mostram que a #Arte no seu global é uma criatura viva, mutante e emocionante.
Assim, a cada nota ouvida, há uma cor e um sentimento que no seu todo divaga por um edifício setecentista, transformando estas noites numa verdadeira "caça-ao-tesouro".
No Telheiras Art Fest #3 podemos encontrar projectos emergentes, grande parte deles desconhecidos do grande público, que ali são descobertos a cru e sem qualquer tipo de salvaguarda para quem os ouve! Assim como ter a oportunidade de abraçar quem já é mais assíduo em festivais e de salas portuguesas, mas que ali vestem outra roupa, como um manto que reconstrói tudo o que conhecemos e renova a ligação existente com os temas já amantizados pelo o público.

Monday, 30 September 2019 11:40

Rui david em contraluz

Rui David edita “Contraluz” e divulga single "Sol da Primavera" em dueto com Manel Cruz e apresenta o novo álbum dia 12 de Outubro, no Auditório Fernando Paredes, às 21.30 horas com a participação especial de Jorge Palma.

O músico e compositor portuense edita hoje o seu álbum de estreia, “Contraluz”. Um disco entre o intérprete que Rui David sempre foi e o autor que vem sendo. Daí a contraluz, porque há alguma coisa que se revela e outra que se esconde.
Meses depois de ter dado a conhecer o trabalho que estava a desenvolver em estúdio com a sua super-banda, num concerto com lotação esgotada na Casa da Música, chegou o momento de conhecer o tão desejado disco. A concretização de um sonho antigo que regista tudo o que o músico aprendeu ao longo destes anos que tem dedicado à música.
Composto por 11 canções reveladoras da sua história, ora nas suas palavras e composições, ora nas palavras e melodias de outros como Jorge Palma, Manel Cruz, Carlos Tê, Miguel Araújo e Tiago Torres da Silva, “Contraluz” é a confirmação de que chegou o momento de Rui David. Depois de um longo percurso dedicado às canções, à composição e à interpretação, o músico apresenta-se, finalmente, em disco e em nome próprio.
Mas não está sozinho. Com ele, em estúdio, esteve uma banda de luxo composta por Peixe dos “Ornatos Violeta” na guitarra eléctrica, guitarra acústica, ukelele, teclados e glockenspiel, Ruca Lacerda que integra os “Supernada” na bateria, percussão, caixa, guitarra acústica, guitarra eléctrica, charango, bouzouki, ukelele, teclados e glockenspiel, Eduardo Silva da banda “Foge Foge Bandido” no contrabaixo, baixo eléctrico e voz e Francisco Fonseca também dos “Supernada” na bateria e percussão que, juntos, asseguram uma unidade conceptual assente numa linguagem contemporânea e simultaneamente simples. À banda, juntou-se ainda Nuno Prata e a sua guitarra acústica, Marcos Cavaleiro com os bombos tradicionais, Daniel Dias no trombone, Ianina Khmelik no violino, Luís Norberto Silva na viola, Nikolai no violoncelo, e ainda a Banda Bingre Canelense nos coros.
Com direção musical de Peixe, “Contraluz” foi gravado, produzido e misturado no Largo Recording Studio por Ruca Lacerda e Peixe, e masterizado por Nuno Mendes no El Estudio.

Depois de “Sem Medo”, tema da autoria de Jorge Palma com que Rui David se destacou no Festival da Canção 2018, e do single “Homem Novo”, com letra e música de Carlos Tê, segue-se “Sol da Primavera”, composto e interpretado em dueto por Manel Cruz. Este é o single que acompanha a edição de “Contraluz”.

Monday, 30 September 2019 11:36

5ª edição porto tech hub

A 5ª edição da conferência anual da associação que reúne algumas das mais conceituadas empresas na área das TI decorre no dia 11 de outubro, na Alfândega do Porto.

Cerca de 1.000 participantes são esperados para mais uma edição do evento que promove a discussão e partilha de conhecimentos em torno da área da Tecnologia, este ano sob o tema “Art, Culture and Tecnologies”. São 23 as empresas que constituem a Porto Tech Hub (PTH), uma associação sem fins lucrativos voltada para a promoção e capacitação tecnológica na cidade do Porto, que trabalham em conjunto para a organização desta grande conferência anual. Com a intenção de proporcionar networking, partilha de conhecimentos e experiências profissionais e pessoais em torno do universo tecnológico, a conferência da PTH é já referência em matéria de eventos institucionais, contando com cinco edições de sucesso e largas centenas de participantes.

Para esta edição, o tema explora dimensões múltiplas que vão desde a intervenção da tecnologia nas práticas artísticas à própria Cultura das organizações, com nomes ainda por desvendar mas que prometem, à semelhança dos anos anteriores, deixar rendida a audiência. As inscrições para a conferência já se encontram disponíveis a preço reduzido. Paralelamente, decorrem também as candidaturas ao programa SWitCH, dinamizado por esta associação em parceria com o Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP). Esta formação tem por objetivo o combate ao desemprego, através da requalificação de licenciados e da sua rápida inserção num mercado com carência de profissionais qualificados, com excelentes perspetivas de uma carreira profissional, como é o caso das TI, em particular em empresas ligadas ao desenvolvimento de software.

Monday, 02 September 2019 17:06

Mar em volta

“Aqui onde o mar aconchega o céu
E o céu espelha a alma no mar,
Onde reina um coração verde de magia e encanto …
Aqui as montanhas ecoam sobre os vales
O palpitar duma respiração suave
Que alimentam as árvores e as flores cujo perfume
Invadem, incessantemente, o brilho do sol…”

A Chiado editora publicou uma antologia de poesia madeirense, num total de 34 poemas sobre a ilha. João Rodrigues foi um dos autores com quem falámos sobre poemas, poetas e a sua inspiração.

Em Julho passado a editora havia lançado um desafio, através das redes sociais, apelando ao lado mais poético dos madeirenses, independentemente de serem autores já publicados ou não, com o objectivo de integrar uma antologia de poesia intitulada, “Mar em volta”. Os potenciais autores foram desafiados a enviar um texto inspirado na ilha da Madeira. Um dos escritores selecionados foi João Rodrigues que, decidiu participar “graças a um convite de uma amiga que viu o link e mo enviou, como achei interessante decidi participar com um poema. Sentei-me, inspirei-me, escrevi o texto e enviei”. Questionado sobre o que escreve em termos de poesia, o autor, respondeu que “escrevo de tudo um pouco, inclusive sobre o ambiente, o mar, os sentimentos e o amor. Neste caso o tema foi a ilha e consegui de uma forma abrangente expressar o que é à Madeira. A forma de escrita não foi, contudo, em quadras, “pode ter rimas, mas não há quadras neste texto, é tudo sequencial. Não quer dizer que não possa escrever poemas sob a forma de versos e que isso me possa inspirar, como já aconteceu. Eu tenho um blog onde publico poesia, tenho algumas frases de cariz popular e inclusive tenho um conto que escrevi há vários anos para um concurso no qual não cheguei a participar, porque o escrevi muito encima da data limite e não o consegui rever a tempo de enviá-lo, por isso esta lá.
Numa antologia sobre a ilha da Madeira dedicado a todos os ilhéus, será que os madeirenses gostam dos seus poetas? Paulo Rodrigues responde, “eu vou ser sincero, eu não estou muito familiarizado com a poesia na Madeira. Posso dizer que não sei quem são os atuais poetas da ilha, ou que tipo de poesia fazem e muito menos conheço as obras mais recentes desses autores. Já vi, por outro lado, poetas madeirenses mais antigos e verifico que alguns dos seus poemas são diferentes do que eu tenho por habito de escrever, por isso, não sei até que ponto a minha escrita pode ser considerada boa e que proporcione uma leitura motivante ao se ler.
E será que podem fugir a ilha? “Sim, nos podemos viajar onde a nossa imaginação nos levar, pode ser na Madeira, como na lua, o impulso de um poeta não é escrever sobre onde se encontra, mas sobre onde a alma e o coração o mandam”

https://sentimentosdumpoeta.blogspot.com/p/pemas.html?m=1

Sunday, 16 June 2019 20:25

O torto arado

Itamar Vieira Júnior escreveu um romance cativante sobre a realidade de uma cidade do interior do Brasil, no Sertão da Baía, na Chapada Diamantina, que fala sobre a vida de duas irmãs que irão mudar o rumo da vida da sua pequena comunidade para sempre. O autor deste maravilhoso livro foi o legitimo vencedor do prémio Leya 2018.

Começaste a escrever este livro com 16 anos e já tinhas a ideia de que seria sobre a vida de duas irmãs e a sua família. O curioso é que a diferença de idades entre elas é de apenas um ano e até parecem gémeas, até os nomes são parecidos e descreves a sua vida desde a pré-adolescência até a vida adulta. Então porque decidiste escrever sobre duas mulheres?
Itamar Vieira Júnior: Poderíamos até falar num romance de formação, porque abrange um período da vida delas desde à infância e vai até a vida adulta. O que me fez escolher esta história entre irmãs, talvez porque tenho três irmãos e somos quase todos da mesma idade e a diferença de mim para o que irmão que vêm depois é de um ano e acho que é a mesma coisa entre a Belonísia e a Bibiana. Para mim foi muito natural falar sobre irmãos e dessa relação que é conflituosa e ao mesmo tempo solidária e acho que daí veio a ideia das irmãs. Falar sobre o cenário rural, aos dezasseis mesmo não tendo contacto direto com essa realidade, veio do meu interesse pela literatura. Quando terminei o secundário, eu já havia lido romances regionalistas de Guimarães Rosa, Jorge Amado e José Lins do Rego e Raquel de Queiroz e eu estava muito influenciado pela diversidade da paisagem, os conflitos narrados e isso era um Brasil que eu conheci apenas através da literatura. Eu comecei a escrever esse livro, cheguei até as oitenta páginas e depois abandonei, eu não tinha a maturidade suficiente, foi um impulso, um instinto que me fez escrever, o que foi bom porque as página, entretanto, se perderam e eu reescrevi o livro mais tarde e aí já tinha uma passagem pelo campo do Brasil e conhecia muito essa realidade e assim pude falar com detalhes e propriedade no livro sobre esse tema.

E quando começaste a visitar o Brasil interior, foi aí que encontraste a localidade específica deste livro, onde toda a narrativa acontece e isso te levou a reescrita?
IVJ: Sim, eu fiz um doutoramento em estudos étnicos e africanos com enfase na antropologia e fiz um exercício etnográfico nessa minha tese e trabalhei numa comunidade do Sertão da Baía, a Chapada de Diamantina, eu passei de dois a três anos nessa comunidade em contacto com as histórias, com pessoas do Jarê, com a paisagem que é um lugar belíssimo cheio de referências, que ao mesmo tempo sofre com a seca e onde existe um pântano muito húmido que aparece muitas vezes no livro. Aquilo era o cenário perfeito, era o lugar em que eu queria reviver aquela história do passado, que comecei aos dezasseis anos, e recomecei a contar a história dessas duas irmãs e a partir dessa perspetiva da servidão de uma vida privada de direitos que é a realidade dessa população.

E foi também daí que decidiste que uma das personagens seria muda. Isso também é uma metáfora para o facto dessa população não ter uma voz.
IVJ: Exatamente. Eu penso num país diverso como o Brasil que tem muitas etnias e como bom seria nas instâncias de poder, no parlamento, que houve representação de todos esses elementos da sociedade e as pessoas pudessem propor e legislar para diminuir essas diferenças sociais. Para mim escrever sobre esta história era fundamental, havia uma lacuna grande na nossa literatura sobre estes temas que não fossem apenas urbanos, principalmente como nos últimos anos, que não fosse um livro sobre a classe média branca do país e queria retratasse os problemas muitos específicos desta zona. A literatura de um país é o retrato de uma cultura e deve ser abrangente, deve estar aberta, deve incluir o máximo de seguimentos e contar a história do país.

Existe um estudo que pinta a imagem muito má da mulher negra na literatura brasileira, ou ela é prostituta, criada ou escrava, apesar dos direitos de as mulheres estarem consagrados nas leis, ainda existe esse estigma. Foi por esse motivo, porque escolheste que as tuas porta-vozes fossem mulheres negras? Com personalidades tão fortes?
IVJ: Eu tenho uma família em que as mulheres têm grande protagonismo, eu acho que os homens sempre foram sombras pálidas delas, elas é são as protagonistas, o que é um paradoxo, já que, a gente sabe que numa sociedade machista como na América do Sul, no caso Brasil é assim, mas o que é interessante é perceber, porquê isso ocorre? Porque as mulheres fora de casa não têm voz, mas dentro de portas elas reinam. Elas dominam tudo e eu sempre tive essa imagem forte das mulheres da minha vida e encontrei essa realidade no sertão brasileiro, no sertão nordestino, em que as mulheres assumem esse protagonismo, porque como os homens não tem recursos para trabalhar e as vezes morrem jovens, elas acabam por assumir esse papel principal na comunidades, elas se tornam lideres politicas como a Bibiana e a Belonísia e eu tive esse cuidado de não estereotipar também esses personagens negros. Embora, se trate de uma comunidade rural que podíamos chamar de comunidade quilombola, que na Venezuela, Panamá em Cuba temos os chimarrões e na Colômbia, os palanqueiros essa ocorrência é comum em toda à América Latina. A Bibiana é filha de um agricultor com uma vida muito regrada e carente de tudo, mas ela sai, ela estuda, se forma como professora e volta para a comunidade e tem outra visão política, porque esteve em contacto com outros grupos de onde ela vivia. Ela traz essa bagagem política com o Severo, o marido, porque eu entendo uma mulher negra quando diz que as personagens que surgem nesses romances, no cinema, ou no teatro são esses estereótipos e estamos focados nisso. Tudo isso é um reflexo da sociedade brasileira, existe uma mudança, mas é recente. A gente já encontra na universidade mulheres negras e em lideranças políticas, como a Maria de Franco que foi assassinada. O que vejo com mais gravidade, na literatura, em determinados contextos é que elas não assumam esse protagonismo, então o interessante é dar-lhe esse foco, podemos até falar das dificuldades da diversidade, ela pode ser até uma empregada doméstica, porque não falar sobre uma? O que é que existe de demérito nessa profissão? A questão é que ela se tornou numa emprega doméstica pelas circunstâncias sociais e porque não problematizar isso? Trazer isso ao público? Eu acho que podemos fazer isso mais vezes. Eu li um romance, o ano passado, que não foi lançado ainda aqui chamado “ Armas sonolentas” da escritora brasileira Carola Saavedra e ela traz três protagonistas mulheres e uma delas é uma mulher indígena que é emprega doméstica e não tem nome e o que é interessante é que ela pode ser qualquer uma daquelas mulheres que saíram jovens, do campo brasileiro, para as cidades para servir as pessoas mais abastadas e ela nos faz sentir compaixão por essa mulher e nos faz colocar no lugar dessa personagem. Isso é o que a literatura tem, esse papel em que a gente faz um acordo tácito quando escreve, ou lê um livro nós assumimos a vida dessas personagens, pelo tempo em que estamos envolvidos com essa obra, a gente se coloca na pele deles e sente o que eles sentem. É uma empatia enorme, eu tenho a certeza se o “Torto Arado” lhe tocou, você nunca mais vai olhar para mulher camponesa do Brasil, de uma realidade muito diferente, sem interesse, porque a vida dela é muito rica e essa riqueza surge do trabalho que ela faz.

Disseste que escreveste um livro para os brasileiros, porquê?

IVJ: Porque é uma realidade que muitos brasileiros ainda desconhecem. Embora, tenha uma apelo universal, porque esse problema pode ser transportado para várias populações ao redor do mundo, dos refugiados, dos emigrantes, os brasileiros desconhecem ou fingem que não sabem da realidade que existe de servidão no campo, das pessoas que ainda vivem cativas de certa forma e eu escrevi esse livro vindo de uma pesquisa que fiz na universidade nessa linha e a pesquisa não tem o alcance como uma obra literária, ou artística e que o teatro pode ter, eu acho que tem um alcance muito mais abrangente. Não adiantava fazer a ciência escrevendo um artigo, ou uma tese, eu queria escrever um trabalho que tivesse esse alcance capaz de atingir pessoas de outras profissões, de outras origens e contar essa realidade para a sociedade brasileira.

Mas, abordas a questão dos sem terra, esta família esta no cerne dessa questão, embora não sejam escravos, são escravizados porque trabalham uma terra que não lhes pertence, nem sequer podem criar raízes, não podem construir casa e até as colheitas são escolhidas pelos proprietários dos terrenos. Isso é também porque a sociedade finge que o movimento não existiu?
IVJ: Eu acho que eles fecham os olhos, porque nunca se resolveu essa questão. A gente tem exemplos como o México, a França e até aqui na região do Alentejo em que houve uma reforma agrária após a queda do Salazarismo. O Brasil nunca teve uma reforma agrária e esses problemas sociais permanecem. O que se fez é uma lei de terra em 1850 e deu acesso a quem tinha dinheiro para pagar por ela e uma massa de trabalhadores escravizados, de indígenas de comunidades nativas e de outros pequenos agricultores não tiveram acesso a nada disso e continuam até hoje a trabalhar como bolsero, ou em regime de servidão e ao longo das épocas essa população é brutalizada e eles vivem conflitos intensos. Só em 2017, que são os dados mais recentes de organizações não governamentais no Brasil que ajudam essas pessoas sem terra, contabilizaram 71 mortes de trabalhadores do campo por conflitos relacionados com as terras. Então, eu ouvi que algumas pessoas do meu convívio por questão de trabalho, haviam sido assassinadas por questão de terra, é uma guerra brutal e sei que não é uma realidade apenas do Brasil, em algumas países da América Latina a gente encontra essa questão e eu precisava falar sobre isso, porque apesar desses dados gritarem nos nossos ouvidos, as pessoas parecem fechados a essa realidade? Precisámos resolver esse problema do acesso à terra, é uma questão de dignidade humana, não estamos a falar de um bem, mas sim de um lugar onde a pessoa possa construir a sua casa, onde possa viver, sem medo de ser expulsa por alguém com arma, ou título, é preciso dar oportunidade de trabalho e dignidade a todas essas pessoas.

A maior parte dos teus personagens não tem nomes, tem os apelidos que as pessoas lhe dão, porque decidiste fazer isso? É pelo facto de na sua maioria serem analfabetos, ou por serem descendentes de antigos escravos?
IVJ: Eu quis ser fidedigno a realidade dessas pessoas, o sobrenome está relacionado com os que tem o poder, os apoderados e aí surgem alguns sobrenomes, a família Peixoto, que são os donos. Nas pessoas mais humildes, o sobrenome não importa, nem para eles, nem para olha para eles, o mais comum é que os conheça pelos apelidos e era forma de que aqueles nomes tão comuns como a Bibiana e Ana, a Salustiana encontrassem representantes no imaginário das pessoas, que elas pudessem ler aquele prenome e dizer, eu imagino a Salu conheci uma assim no campo, era uma forma de dar um movimento mais abrangente a esses personagens.

Um dos aspetos que gostei do livro foi o teres abordado o lado mágico, do mundo dos espíritos misturado com a religião, que advém da imposição do cristianismo sobre estes rituais pagãos, que são os encantados. Essa realidade ainda é muito patente no interior do Brasil?
IVJ: Eu lembro do Gabriel Garcia Marques falando da sua literatura e os críticos literário falavam de realismo mágico e ele dizia que não tem nada de mágico é só realismo. Quem conhece a realidade da América Latina sabe que é possível que se fale de uma pessoa que morreu, que volta a vida e que conviva e são dois mundos diferentes. Para nós que vivemos em cidades, em sociedades diferentes, a viver nessa cultura ocidental meio hegemónica e cientifica a gente costuma relegar essas manifestações para um espectro mágico, para além do real, mas esse real para algumas pessoas pode englobar tudo isso, falar sobre isso foi muito natural, não que viva isso, o eu fiz foi tentar aprofundar e pesquisar essa religiosidade de uma forma crível e fidedigna e apresentar essa cosmo visão, que é uma visão muito própria deles que engloba esses elementos da natureza e da espiritualidade e do que esta além da vida, isso é muito real para eles, é uma coisa que continua acontecendo.

Também referiste que é algo específico a esta região.
IVJ: Sim, que é o Jarê que é uma crença que acontece nessa região que é a Chapada de Diamantina, que é uma coisa que eu também não conhecia, mas que é secular e que já existe desde a ocupação dessa área. No Brasil você também encontra religiões Xamânicas e eu moro em Salvador uma cidade com grande número de descendentes de África e as religiões de matrizes africanas são muito comuns, em Salvador tem mais terreiros de candomblé do que igrejas, embora haja muitas igrejas porque foi capital da colónia e foi fundada pelos portugueses que levaram à religião católica até o Brasil, mas essa convivência nunca foi pacífica. A liberdade de credo e de religião ela surge na segunda metade do século XX para cá. Um dado interessante que você talvez não saiba é que um dos projetos de lei da liberdade de crença foi graças ao Jorge Amado, quando ele foi deputado federal na década de 40 e 45. Ele conseguiu aprovar uma lei que trata da liberdade religiosa no Brasil, porque antes essas crenças eram perseguidas pela polícia, eles não se podiam manifestar-se em público, a não ser que fosse da religião cristã, ou protestante, tudo fora disso era reprimido e graças a Jorge Amado que é um grande escritor que todo o mundo conhece e um dos brasileiros mais proeminentes do século XX, embora tenhamos o Paulo Coelho, foi possível a liberdade de crença no Brasil.

Qual foi no processo de reescrita o personagem com quem te debateste mais, nesse processo criativo?
IVJ: Eu que todos os personagens foram difíceis, mas dos que protagonizam o livro eu tive de ter muito cuidado com as irmãs, porque uma fala e a outra não e que não falava precisava de ser comunicada e ao mesmo tempo ela precisa de comunicar. Como ela não pode falar, ela fala através da natureza e do mundo que esta à sua volta e ela vêm incorporando aquilo e tem um momento do livro em que fala dos animais, da natureza e falam por ela. A personagem mais difícil de escrever foi a encantada que esta na última parte do livro.

A Miúda?
IVJ: A Santa Rita Pescadeira que é um espírito que atravessou o tempo, os séculos, ela fala da escravidão que já não esta na memória das pessoas, porque elas foram brutalizadas e em algum momento da vida as pessoas esqueceram, ou não querem falar sobre isso, porque é algo que os envergonha e entristece. A Santa Rita viveu períodos distintos e ela sabe que essa servidão é um processo da escravidão. Ela é um personagem que não tinha uma vida material, até o ritmo e fala não podia ser escrito como algo que fosse muito estranho a narrativa e para o leitor.

O que eu achei curioso desta personagem é que noutros autores brasileiros também referem estes espíritos, eles utilizam uma linguagem e um calão que eu não entendia muito bem, contudo foi mais fácil de deduzir o que a tua personagem queria dizer, porque tivestes esse cuidado, não é? De não te exceder neste tipo de linguagem para que os leitores pudessem entendê-la?
IVJ: Sim, a literatura tem de ter essa linguagem que permita que seja acessível a maioria das pessoas. Por mais particular que seja o retrato que esta passando, você pensa no leitor também. O escritor que escreve um livro pensando em si próprio, isso é uma viagem egoísta, quando a gente escreve esta a faze-lo para um público e a linguagem literária é algo que nos envolve, que é musical e que algo que nos convida a ler e a passar página e que abranja o máximo de pessoas.

Mas, querias voltar à Santa Rita Pescadeira.
IVJ: Foi um desafio escrever sobre esta personagem porque não tem uma vida material grande, ela é o vento, é movimento, ela se transforma em chuva e é muitas coisas. Eu pensei como fazer isso? E fazê-lo de uma forma crível e que no livro se transforma nesse espírito e possa ser alguém muito cativante que as pessoas gostem. Nesta crença e noutras no Brasil, as pessoas que incorporam esse tipo de espírito são chamadas de cavalo, é como se o espírito montasse nela e quem esta vivo não é mais a Miúda que a recebia, é a Santa Rita Pescadeira. Como a Miúda morre, na terceira parte do livro, e a Santa lamenta que ela morreu e que as pessoas que ficaram já não a conhecem, nem falam mais dela, nem sequer sabem quem ela é, ela é a história que esta desaparecendo e então, ela resolve intervir nessa realidade para provocar mudança e passa acompanhar essas irmãs e toda aquela tragédia que se abate em Água Negra. Se reparar tem uma parte do livro que é escrita na segunda pessoa, ela primeiro fala com a Bibiana e depois como Belonísia como se Santa Rita estivesse aqui sentada entre nós e ela vai contar-nos sobre a irmãs. Eu precisava, por isso que ela fosse uma personagem cativante e interessante que fosse crível e foi o desafio eu não fiz isso sozinho, foi graças as muitas histórias que ouvi no campo que me ajudaram a compor essa personagem e que é um lado muito rico da cultura Brasileira e que você vai encontrar também em outros povos, que falam dessas crenças que transcendem a realidade e transitam entre o mágico e a realidade.

Como o pai que também era mais do que um mágico, um curandeiro.
IVJ: Sim, o Zeca Chapéu Grande filho de Donana que tinha um chapéu grande, ela adotou um sombrero que era do marido e aquilo virou um sobrenome.

E porque só dizes a Miúda? Deduzi pela leitura e pelo tipo de letra utilizado que a conotação desta palavra só podia ser diferente no Brasil.
IVJ: A Miúda é um apelido de uma mulher, geralmente pequena, que não crescerem muito e que tem um especto de criança. Aqui em Portugal miúda é associado a criança, lá não é um substantivo usual, geralmente é um apelido. Então a Miúda da história é uma integrante da fazenda, que vive na mesma condição dos outros habitantes e ela aparece antes como a manifestação da Santa Rita e é como se ela pescasse, com os braços ela imita as ondas do mar e ela faz todo esse movimento. Na terceira parte ela já é idosa, morre e ninguém mais lembra da Santa Rita Pescadeira. Ela representa muitas mulheres.

Quando ela apareceu no livro eu pensei até que era uma entidade espiritual e não física até perceber que se tratava de uma pessoa quando referes que ela morre derivado a idade.
IVJ : Eu nunca pensei que isso ia causar confusão em Portugal, mas ainda bem que estão conhecendo outra conotação para esse nome. Mas, quando escrevi o livro eu pensei nas muitas das miúdas que conheci pelo caminho e é um nome muito comum no interior, principalmente no Nordeste.

Tu no final, o dono, o Salomão morre e ficámos sem saber qual das irmãs o matou. E deduzi que deixaste que o leitor fizesse as suas elações quanto à irmã assassina e fizeste isso de propósito como no princípio do livro, em que também não esclareces de imediato qual das irmãs ficou muda.
IVJ: E quem narra essa parte é a Santa Rita Pescadeira, a encantada. Ela começa no último capítulo a dizer que sente muita falta de ocupar o corpo e de se materializar na terra, ela encontra as irmãs nessa aflição e sente a necessidade de agrada-las, de ajuda-las e então ela incorpora em Bibiana e quando esta acorda não sabe porque tem sangue nas mãos, elas estão tão machucadas, tem bolhas e tem até de coloca-las na água fria. E ela entra também na Belonísia e sabe que ela é a força da natureza, que conhece bem a fazenda como ninguém, não tem medo de nada, mas é a Santa Rita que a esta possuindo e é ela que intervêm nessa realidade. É uma forma de ajudar essas mulheres retirando o peso de um crime, embora tivessem todas as justificativas para fazê-lo como forma de vingança, mas é a Santa Rita Pescadeira que conhece essa história ancestral da escravidão e que para libertá-los naquele momento sabe que é preciso fazer algo antes que sejam expulsos daquelas terras. Isso é que é importante que não foi a Bibi, ou a Belo a cometer o crime, mas sim a Santa Rita que usa os corpos daquelas mulheres corajosas para fazer justiça. No fim foi a Santa, mas usou uma das irmãs.

Porquê o título?
IVJ: Eu ainda quando novo quando estava mergulhado na literatura lusófona, como Eça de Queirós, o Júlio Dinis e ficava encantado com os poemas de Tomas António Gonzaga sobre a terra tudo isso se juntou com a minha descoberta literária contido num verso onde tinha o Torto Arado e eu penso nesse instrumento agrícola que atravessou um século, como os personagens o atravessam ao mesmo tempo. O Torto Arado é antigo, distorcido que não faz bem o seu trabalho, não faz sulco bonito na terra são até deformados e isso mostra essa distorção da sociedade, dessas pessoas que tem comportamentos terríveis, que tem de ser modificados e foi um título que se encaixou bem e para mim era perfeito.

Saturday, 01 June 2019 12:08

Bolonha 20 anos depois


Duas décadas depois da assinatura da Declaração de Bolonha, a Universidade de Aveiro (UA) recebe uma conferência nacional de reflexão e debate sobre a implementação e o futuro do processo que transformou o ensino superior europeu. Com a presença de Manuel Heitor, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, o encontro “Bolonha ,20 anos depois” decorre a 19 de junho, no Auditório da Reitoria da UA.

Apoiado pelo Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) e pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), na conferência estão igualmente confirmadas as presenças de Eduardo Marçal Grilo, signatário da Declaração de Bolonha enquanto Ministro da Educação, Pedro Lourtie, o diretor-geral do Ensino Superior que acompanhou as negociações da declaração, Stephane Lauwick, presidente da European Association of Institutions in Higher Education (EURASHE), João Picoito, antigo vice-Presidente da Nokia, Robert Napier, presidente da European Students Union (ESU) e João Pinto, presidente do International Board da Erasmus Student Network (ESN).

Na perspetiva de Jorge Adelino Costa, Vice-reitor da UA para o Ensino e Formação, “estas datas simbólicas são sempre excelentes pretextos para promovermos a reflexão sobre o passado e a discussão sobre os desafios que o futuro nos impõe”.
Tendo em conta a importância do Processo de Bolonha na transformação do ensino superior europeu, explica Jorge Adelino da Costa, “tomámos a iniciativa de promover este evento e de criar mais uma oportunidade para que o tema seja debatido”.

O responsável recorda que “o facto do professor Eduardo Marçal Grilo, enquanto Ministro da Educação, ter sido o signatário da Declaração por Portugal, foi um argumento adicional para realizarmos este evento, tendo em conta o cargo de Presidente do Conselho Geral que hoje exerce na UA”.

Todas as informações sobre a Conferência em http://www.ua.pt/bolonha20anos

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