Um olhar sobre o mundo Português

 

                                                                           

h facebook h twitter h pinterest

Meias de vidro

Escrito por  yvette vieira fts josé zyberchema

 

A mostra é composta por cerca de três dezenas de obras de desenho a carvão sem papel, as pinturas utilizam uma técnica mista e ainda uma série de instalações. Acosta é natural de Elvas, tendo-se licenciado em artes plásticas, em pintura, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.

Esta exposição é intitulada “meias de vidro” como uma metáfora para a verdadeira temática subjacente.
Acosta: Não é uma metáfora “meias de vidro” é o nome da exposição mesmo. Foi a designação que escolhi com alguma persistência, é um projecto que esta a ser desenvolvido a sete anos. Ao longo da vida vamos criando vários “eus”,fruto das feridas que vamos tendo, como nos vamos relacionando com as pessoas. “Meias de vidro, também porque posso vesti-las para ir à rua mais bonito e outro eu a encabeçar a meia para assaltar emoções. A ideia é haver a definição do líder que consiga controlar os outros “eus” digamos que menores, ou até perigosos, ou mesmo bondosos, não sei, o que é essencial é haver um líder que os deixe ser um pouco de cada sem estarem descontrolados.

Usaste uma paleta de cores quase minimalista, há apenas apontamentos de cor. Foi propósitado ou surgiu naturalmente depois desta reflexão?
AC: É fruto de uma reflexão persistente como disse. Há um claro contraste entre o claro e o escuro, por causa dessa dicotomia, entre o poder de praticar o bem e o mal, é o grande contraste.

Tens também alguns retratos.
AC: Não são retratos. São estudos psicológicos.

Sobre essas pessoas ou sobre ti?
AC: Sobre mim, sobre essas pessoas que eu acompanho. Um dos retratos, como diz, é fruto de uma conversa que durou dois anos, foi produtor artístico de uma pessoa, que conheci muito bem, porque a acompanhei num projecto que ela a posteriori inaugurou e portanto, eu achei que devia traçar um perfil psicológico dela do ponto de vista artístico e o produto final é aquela obra.

Algumas das obras apenas são linhas com muito movimento, parece que dançam.
AC: São transmutações, portanto, onde estou a negociar com os outros “eus” e eles falecem nos meus braços. A proposta que apresento é o meu “eu” a negociar com o meu “eu” feminino que entretanto morre-me nos braços e o “eu” líder entrega-se a natureza e liberta-se. Parece que dançam, mas não é. É a procura de si mesmo, existe uma tertúlia entre os eus.

Também tens estas jovens que estão a fazer uma perfomance. Qual é o simbolismo por detrás de tudo isto?
AC: Elas são as minhas soldadas. Elas protegem a minha transparência. Elas estão atentas a tudo o que esta a acontecer, porque é a primeira vez que sou realmente transparente.

Porquê levaste sete anos para chegar a esta exposição?
AC: Porque foi um processo muito moroso, porque tenho projectos futuros dos quais não posso falar ainda, que tiveram a sua fase. A primeira etapa foi trabalhar como produtor artístico de uma pessoa muito especial e organizar-lhe um evento cultural, agora mostro ao público a forma como reflicto e depois é surpresa.

Haverá então uma terceira fase desta linha de pensamento?
AC: Exactamente.

Deixe um comentário

Certifique-se que coloca as informações (*) requerido onde indicado. Código HTML não é permitido.

FaLang translation system by Faboba

Eventos