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As doidas pelo teatro

Escrito por  yvette vieira ft nelson camacho

garces

Resumindo e concluindo, perdão, "Rumindo e Conclusindo" é um grupo de teatro no feminino constituído pela família Garcês e uma filha adoptiva, a Mara Abreu, que pretendem dar asas a um sonho que é levar os madeirenses até o teatro. Um objectivo que pretendem cumprir encenando uma comédia original que ajuda a contornar a crise e levar o sorriso a todos os que quiserem assistir a estreia, no dia 12 de Abril, no Casino da Madeira, às 21.30. Venha daí conhece-las!

Porquê um grupo de teatro no feminino?
Graça Garcês: Um grupo de teatro no feminino, porque nós como somos todas do sexo feminino e temos que valorizar o facto de sermos mulheres e mostrar que estamos em força e quando se juntam fazem algo de grandioso e realizar sonhos que às vezes, enfim, porque somos consideradas a sexo mais fraco, queremos provar que não somos tão débeis quanto isso.

E o nome?
GG: Uma vez que na nossa peça dá dicas de como vencer a crise, por exemplo, no final há uma conclusão. Também porque me ficou sempre na ideia esta frase que ouvi sem querer quando ia a passear pelas ruas do Funchal. Achei na altura que era uma expressão muito rica e quando tive a ideia de criar o grupo foi sem dúvida a minha primeira escolha.

Decidiu encenar um texto original, porquê? Há pouca produção literária em termos de teatro no feminino?
GG: Para já, porque eu acho que todas somos criativas. E quando trabalhámos com algo que fomos nós próprios a criar o prazer é maior. Neste momento de crise, é necessário ser mais criativo e acho que esta é uma boa forma de mostra-lo, que se consegue fazer coisas muito válidas e sendo nossas ainda mais valiosas elas se tornam.

Não lhe parece uma loucura nestes tempos de fraca adesão aos eventos culturais, apostar precisamente na criação de um novo grupo de teatro?
GG: Pois é se calhar está a tentar passar uma mensagem que é mesmo essa, que as pessoas valorizem a loucura. Às vezes gastam dinheiro em coisas mais supérfluas, que não contribuem em nada para o seu bem-estar, para a sua felicidade e queremos mostrar que vale a pena apostar no teatro, porque o que estamos dispostas a mostrar ao povo madeirense é que realmente há margem dentro da crise para as pessoas se divertirem e esquecerem os seus problemas. Isso é uma boa aposta. Temos é que contrariar esta crise e é o que estamos a fazer.

 

Que outros objectivos têm traçado para as "rumindo e conclusindo"?
GG: Sabe que sonhar é algo que fazemos e lá diz o Fernando Pessoa "sonhar faz parte da vida" e isso ajuda-nos a ir mais longe. Agora, neste momento, vamos devagarinho, estamos quase a realizar este sonho, vamos ver até onde nos leva e se aceitação do público for a que nos esperámos, então porque não, haver outra coisa na manga.

 Porque decidiste aceitar o convite para entrar neste grupo?
Filipa Garcês: Desde que me conheço, sempre tive um gosto pelo teatro. Trabalhei com todos estes elementos do grupo, na vertente amadora e sempre admirei o trabalho desenvolvido por todos os elementos enquanto actrizes. Como foi uma boa experiência decidi repeti-la só que num registo diferente. Foi esse outro dos motivos que me levou a trabalhar com elas.

Marta Garcês: Eu trabalhei em teatro profissional cá e depois estive em Lisboa também a desenvolver a mesma actividade com pessoas conceituadas no meio, com o Miguel Dias, foi essa a minha formação. Fiz teatro de revista, musicais e teatro infantil. Então, agora o meu objectivo com encenadora é passar as restantes membros do grupo toda esta experiência na área do teatro. Estamos todas no meio e por isso decidimos dar o passo em frente e juntarmo-nos como um grupo.

Mara Abreu: O facto de trabalhar com pessoas que acabam por ser mais do que amigas, quase família e também no fundo voltar as origens e fazer o que gostamos, que é comédia. Seguindo o que é a nossa forma de estar em palco, de trabalhar e acho que é isso que vai fazer a diferença, porque como a Marta disse já passámos por muitos projectos e trabalhámos com muitas pessoas, mas a verdade é que as quatro já nos conhecemos há muito tempo e agora decidimos faze-lo à séria de forma profissional. Não tenho formação específica, começámos no teatro da escola e a verdade é que fomos ganhando maior visibilidade, mais como a dupla, a Marta e a Mara dígamos assim. Agora, enquanto grupo estamos as quatro a trabalhar todas para o mesmo, embora com níveis diferentes, não se nota nenhuma diferença em termos de mais ou menos experiência profissional.

É por ser um grupo exclusivamente feminino?
FG: Não, eu creio que isso foi apenas uma coincidência, porque se houvesse um elemento masculino também trabalhava com ele na mesma. Ser um grupo no feminino é uma novidade que apresentámos.

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