
É um romance de Francisco Moita Flores.
É um relato cru de uma realidade que mantemos afastada, à margem, do nosso quotidiano de país de brandos costumes, que afinal não somos, é o fio da navalha no bairro da estrela polar, em Lisboa. Não me sinto confortável em dizer que se trata de um policial, porque não o é, é um género mais ao estilo bandido, afinal, são eles as personagens principais deste livro, o bando da Diana. Gosto da escrita sem pudores de Francisco Moita Flores, em termos linguísticos, o calão que utiliza com frequência, que nos coloca mesmo no centro nefrálgico deste submundo feito de cumplicidades construídas á custa da miséria humana. Aprecio também a forma como através dos diálogos vai construindo paulatinamente o retrato destes jovens liderados por uma mulher, algo também muito inusual no género. A adaptação deste livro esta nos cinemas, mas prefiro sempre ler primeiro e só depois ver o filme, para ter as decepções do costume, embora neste caso seja quase difícil que tal aconteça devido à natureza da própria escrita, que nos remete para um argumento quase cinematográfico de tão visual que é. Deixo o final no ar, leiam ou vejam, afinal também somos um mundo de fábulas. Boa Leitura.




