
Quais são as cores que definem o universo feminino nacional?
APA: O preto como base, esta sempre lá, em todas as peças. Depois os tons terras, que vão desde o castanho, o bege até o dourado. Este ano, apresentei uma colecção cerimónia e pediram-me tons de coral, o verde bandeira, o bordeaux, a cor telha e o rosa shock por inverosímil que pareça. Há uma grande disparidade, depende para qual é a ocasião. Se for para cerimónia são mais arrojadas, no dia-a-dia são muito mais discretas. No quotidiano, uma mulher portuguesa não veste uma calça amarela, ou laranja. As jovens sim, as maduras nem por isso.
Notas que as mulheres portuguesas se preocupam mais com a sua imagem, com o seu físico, com a moda e estar a par das tendências?
APA: Noto isso nas mulheres mais maduras. As mais jovens são mais descontraídas, as mais velhas já não. São mais ousada e gostam de consumir moda. As minhas melhores clientes situam-se entre os 35 até muito para além dos 40 anos. É alguém que se cuida mais, se reparares actualmente, uma mulher com 40 anos tem cuidado com o corpo, tem tudo no sítio como se costuma dizer e por isso consegue comportar muitos modelos.
Há uma peça fetiche que seja sempre uma constante nas colecções?
APA: Elas gostam sempre de cavas, é o tipo de peça que mostra o ombro, larga o suficiente para tapar as gordurinhas. É o que chamámos de satélite, porque a fazemos todos os anos, quer seja, no verão, ou no inverno.
Tu na modelação tens esse cuidado? De criar peças que escondam essas pequenas imperfeições? Como é que isso se faz?
APA: Sim, procuro ter esse pormenor em atenção. Este ano há uma tendência para as saias rodadas. Interessante, são os vestidos justos com folhos na cintura que tampam essas imperfeições. Não fazem as pessoas mais gordas, porque são rectilíneas e grandes.
Qual é a parte da colecção que gostas mais de fazer?
APA: São os vestidos de cerimónia. É uma peça que dá trabalho, tem muito design. São peças que tens de as colar ao corpo, a modelação entre nesse campo, com pinças e linhas curvas. Tem mais requinte, é mais manual, porque exige folhos, alças, pontos e elásticos. É também onde posso ser mais criativa. Torna-se mais fácil, porque é por gosto que as idealizo. Às vezes torna-se mais complicado realizar um básico, porque ao contrário do que as pessoas pensam é muito mais complicado, porque vamos ao essencial.
A Serenata tem vários pontos de venda ao nível nacional e ilhas, notas diferenças entre elas?
APA: Vendo tanto para a Madeira, como para os Açores. Estas últimas são mais “frias” As minhas clientes do centro do país, curiosamente são também muito discretas e preferem os básicos. As madeirenses são mais “quentes” consomem tudo o que tenha decotes e com muito design. A única dificuldade reside na colecção de inverno já que não consigo vender certas peças, como por exemplo, os pelos, por causa do clima ameno. As que mais consomem moda são as mulheres do Norte. Ao nível de cerimónia, elas pedem-me vestidos esvoaçantes, mas as clientes em Lisboa preferem uma linha mais romântica. Assim, tenho de fazer duas linhas diferenciadas num mesmo território.
As Açorianas são diferente em que sentido?
APA: São mais básicas. São mais discretas na hora de escolher os tons, os estampados, preferem sempre tudo o que é mais suave.
A vossa marca é essencialmente nacional, vocês já consideraram a hipótese de lançar-se para outros mercados?
APA: Estamos a pensar expandir-nos até Espanha. Até temos um contacto nesse sentido, mas para já só apostámos no mercado nacional e até se esta a tornar cada vez mais complicado responder as exigências internas. A empresa é pequena, mas está a correr tudo bem, apesar da crise.
Qual é o futuro da Serenata?
APA: Estávamos a pensar em lançar primeiro a colecção de cerimónia, antes da pronto moda. No verão, faço sempre três linhas, a última das quais incide nos saldos. O que verifico é que há uma procura enorme de peças para ocasiões mais especiais, não sei porque esta a acontecer, mas é um fenómeno que não posso ignorar. Investimos em nove vestidos que se venderam muito bem. Não pretendemos fazer só isso, mas é um ponto de viragem.





