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FMI

Escrito por  Lígia Candeias

José Mário Branco ainda lúcido e actual... 30 anos depois!

À porta do 69º aniversário, José Mário Branco regressa, novamente e em força, à ribalta mediática, pela mão da conjuntura económica, política e social. De repente, o “FMI”, obra de 25 minutos editada em 1981, é banda sonora de qualquer reportagem televisiva, é visto, revisto e comentado no YouTube, é postado em blogs e redes sociais. Tudo isto depois de, curiosamente, nos idos 80, o autor ter proibido a sua difusão  em rádios, televisão ou qualquer outro tipo de exibição pública. Caso para dizer, “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”...
Escrito pelo cantautor portuense como um desabafo pessoal de desencanto pós-revolucionário, voz erguida contra o conformismo, o consumismo e a alienação, “FMI”, uma das mais notáveis das canções de intervenção portuguesas, continua a assombrar, acima de tudo, pela lucidez e pela actualidade... 30 anos depois!
Nada que nos espante ou não tivesse sido sempre José Mário Branco um homem à frente do seu tempo. Homem do contra, intervencionista, filósofo e poeta, combatente da liberdade, fez literalmente da cantiga uma arma. Quando poucos ousavam falar, José Mário Branco cantou bem alto a sua indignação em pleno Estado Novo, acabando perseguido pela PIDE e exilado em França entre 1963 e 1974.
“Ser Solidário”, “A Noite” e “FMI” são as suas obras mais emblemáticas, todas elas escritas já depois do 25 de Abril e do regresso a Portugal. Como compositor trabalhou com outros grandes vultos da cantiga de intervenção, como Zeca Afonso, Sérgio Godinho ou Fausto. Com os dois últimos partilhou novamente o palco em 2009, em dois memoráveis concertos, carregados de nostalgia e actualidade, intitulados “Três Cantos”.
O seu mais recente trabalho de originais, “Resistir é Vencer”, foi lançado em 2004 como homenagem à luta do povo timorense contra a ocupação indonésia. Activo como sempre, temas para inspiração não faltarão neste momento ao compositor portuense. Além de que a agitação social, a crise económica e a degração da qualidade de vida parecem ter “ressuscitado” a canção de intervenção. Veja-se o caso dos Deolinda ou dos Homens da Luta, eleitos pelo povo como representantes portugueses no Festival da Eurovisão. A luta está de volta às ruas... e a cantiga volta a ser arma!

http://fmi.com.sapo.pt/

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