Então como é um concerto em Angola é muito diferente? Adaptas ao público e o que esta em teu redor?
NM: Provavelmente seria, eu não quero estar a mentir e ser hipótetico. Eu já fiz muitas coisas em Angola, coisas diferentes, vários tipos de espectáculos. Este é o primeiro concerto que fazemos com este grupo de músicos e dá esta combinação, a diferença não esta necessariamente onde estou, esta na história que vou contar e não é algo que eu reajo geograficamente, são muitos elementos que entram em jogo, que espero fazer sempre quando estou em Angola e na Madeira, ou quando estiver em Sines daqui a uns dias. O que pretendo é que ao criar narrativas consigo envolver as pessoas, é o que me interessa.
Depois de um concerto em Angola, que percepção tens do público, qual é o seu feedback?
NM: Não sei, não me preocupo com isso. Confesso que algo com o qual não me envolvo muito, porque é demasiado perigoso. Agora sei que tem pessoas que apreciam o meu trabalho, que apoiam, mas muitos acham agressivo, arriscado, mau e acho que isso é igual em qualquer lugar.
O tema "mais" é o teu preferido?
NM: Eu gosto, não é meu tema preferido.
Então hoje foi o "mais"?
NM: Não foi eu inclusive que quis cantar o "mais". Gosto de cantar o tema, mas se ouvir o álbum não é o meu tema preferido, tocar ao vivo é outro formato. Eu sempre tive intenção de fazer música pop, mas não consigo aparentemente e essa canção mais foi a minha última tentativa. Agora eu quero fazer música e não me preocupo com isso.
Qual é o tema que te define como músico?
NM: Não me define, as minhas músicas apesar de tudo não são terapia. Não é uma sessão terapeútica que faço a mim próprio para oferecer as pessoas, não. Gosto de ouvir no álbum "se fosse angolano" particularmente "o desabafo de um qualquer angolano" esse o tema que não me define a mim, mas sim, a motivação do trabalho.
Crias bandas sonoras? Houve no concerto uma espécie de osmose entre o que se passava na tela por detrás de ti e o que cantavas. O Vic Pereiró mostra-te primeiro as imagens e depois escreves as letras, ou vice-versa? Como funciona o vosso processo criativo?
NM: Neste caso todo o universo musical estava criado primeiro e depois com a minha produção e do Vic é que criámos essas narrativas musicais. E a nossa ideia não é criar coisas redundantes, não é fazer um vídeo que esteja a relatar a música, mas sim que acrescente algo, outra dimensão, outra perspectiva, porque se houver alguém que porventura possa ser surdo e esteja só a olhar para as imagens, eu tenho um tipo de narrativa, se tiver alguém cego e que só oiça é a música que funciona, se tenho alguém com todos os sentidos, eu espero que essa combinação traga ainda uma outra coisa. Então queremos criar narrativas, bandas sonoras é uma boa forma de o pôr, mais audio-visuais em cima de um palco esse é o nosso objectivo.
E vão continuar a produzir estas parcerias?
NM: A minha parceria com o Vic é anterior e espero que continue por muito tempo.
E qual é o teu próximo projecto ao nível musical?
NM: Ao nível musical, não tenho. É o defender este projecto actual, mas eu trabalho como músico em tudo o que faço. Não sei se posso considerar projectos musicais ou não, mas tenho várias exposições agora para preparar. Aliás, já é um atrevimento enorme fazer música e estar aqui, porque a vida dos músicos é muito difícil, a sua renumeração é muito diminuta, mas é a paixão que me traz aqui. A minha forma de estar é como artista plástico, no campo musical é preparar estes espectáculos, quase pareço um jogador de futebol, mas estou focado no próximo concerto.
A música aparece antes ou depois da arte no teu percurso como artista plástico? Ou são dois percursos paralelos?
NM: A escrita é a única constante em tudo isso, tudo o resto aparece como um mecanismo para transmitir. Eu estou interessado em contar histórias, há umas que se contam melhor em filme, outras em fotografia, em canção, em vídeo, outras ainda em cima do palco e eu só quero contá-las. Quero dividir perspectivas com as pessoas e que isso seja dito de uma forma competente, a arte e a música estão ao serviço disso, do quero transmitir, o princípio é a escrita, tudo passa pela palavra.
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