Um olhar sobre o mundo Português

 

                                                                           

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A cidade dos encantos

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É a capital do conhecimento e da música do nosso país.

Foi a cidade escolhida pelo rei Dom Dinis para fundar uma das universidades mais antigas da Europa. Foi também palco de grandes momentos históricos e por onde passaram as maiores figuras da literatura e artes da nossa nação ao longo dos séculos. Coimbra é a capital do conhecimento e como tal, as suas ruas estreitas são povoadas pelos chamados morcegos, que são nada mais e nada menos do que os estudantes universitários vestidos com os negros trajes académicos feitos de lã. Tudo gira em torno da universidade. No alto da colina visita obrigatória é o seu paço, de onde se destaca a cabra, o relógio, que inicio as aulas e a um dos pontos altos das festividades estudantis, a queima das fitas. Mas, já lá vamos. Antes é de todo o interesse mencionar a biblioteca joanina, junto do pátio da faculdade de direito. Ao princípio a simplicidade do exterior do edifício não denuncia o interior opulento. Trata-se de um monumento barroco revestido de ouro e decorado de motivos chineses, que alberga 70 mil volumes ao longo de três pisos. É difícil de saber para onde olhar, tal é a beleza dos seus recantos arquitectónicos e de muitos dos livros que alberga. Seguindo a calçada estreita e sinuosa em direcção ao rio, desembocamos na Sé Velha, um dos pontos chaves da semana académica e um dos melhores exemplos de estilo românico em Portugal.

As margens do Mondego eternizam as lágrimas dos enamorados, como reza a lenda do príncipe Dom Pedro e Inês de Castro. A mata do Choupal contribui ainda mais para o mito de cidade do romantismo exacerbado, imortalizada pelos poetas que derramavam em longos versos as suas juras paixão eterna e desditas amorosas. Ao atravessar uma das suas pontes da cidade, uma das visitas obrigatórias é o mosteiro de Santa Clara-a-Velha, onde esteve recolhida a rainha Santa Isabel, esposa de dom Dinis, após a morte do rei, bem como a sua versão mais aprimorada, Santa Clara-a-Nova. Outra curiosidade é um dos resquícios do Estado Novo, o Portugal dos pequenitos, trata-se de um parque temático construído por Salazar para mostrar aos mais jovens a história do império português. Como o prometido é devido, falemos de um dos momentos mais marcantes da academia de Coimbra, a queima das fitas. Deve o seu nome a uma cerimónia simbólica que envolve queimar de todos os vestígios do seu passado universitário e o rasgar do seu traje académico, ou seja, é quando um aluno termina finalmente o seu curso tem que queimar tudo, porque enceta una nova etapa da sua vida. Ao longo de oitos dias, que começam com a serenata monumental na Sé Catedral, os estudantes festejam com grande profusa alegria e um desfile de carros alegóricos a sua vivência universitária. Há bailes pela noite dentro em todas as faculdades, fado de Coimbra nas tascas espalhadas pela cidade e concertos de música ligeira portuguesa no que é considerado um dos maiores eventos de juventude do país. Nesses dias não há aulas e os jovens parecem mesmo criaturas da noite, porque para além dos trajes com as suas capas negras, basicamente os foliões só saem de noite, como os morcegos, porque dormem de dia. É também uma época de excessos em termos de consumo de álcool que só tem paralelo na semana da cerveja de Frankfurt. É uma época de boas-vindas para os que chegam e um tempo de despedidas para os que terminam o seu percurso académico, por isso é que se canta que Coimbra tem mais encantos na hora da despedida.

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