As margens do Mondego eternizam as lágrimas dos enamorados, como reza a lenda do príncipe Dom Pedro e Inês de Castro. A mata do Choupal contribui ainda mais para o mito de cidade do romantismo exacerbado, imortalizada pelos poetas que derramavam em longos versos as suas juras paixão eterna e desditas amorosas. Ao atravessar uma das suas pontes da cidade, uma das visitas obrigatórias é o mosteiro de Santa Clara-a-Velha, onde esteve recolhida a rainha Santa Isabel, esposa de dom Dinis, após a morte do rei, bem como a sua versão mais aprimorada, Santa Clara-a-Nova. Outra curiosidade é um dos resquícios do Estado Novo, o Portugal dos pequenitos, trata-se de um parque temático construído por Salazar para mostrar aos mais jovens a história do império português. Como o prometido é devido, falemos de um dos momentos mais marcantes da academia de Coimbra, a queima das fitas. Deve o seu nome a uma cerimónia simbólica que envolve queimar de todos os vestígios do seu passado universitário e o rasgar do seu traje académico, ou seja, é quando um aluno termina finalmente o seu curso tem que queimar tudo, porque enceta una nova etapa da sua vida. Ao longo de oitos dias, que começam com a serenata monumental na Sé Catedral, os estudantes festejam com grande profusa alegria e um desfile de carros alegóricos a sua vivência universitária. Há bailes pela noite dentro em todas as faculdades, fado de Coimbra nas tascas espalhadas pela cidade e concertos de música ligeira portuguesa no que é considerado um dos maiores eventos de juventude do país. Nesses dias não há aulas e os jovens parecem mesmo criaturas da noite, porque para além dos trajes com as suas capas negras, basicamente os foliões só saem de noite, como os morcegos, porque dormem de dia. É também uma época de excessos em termos de consumo de álcool que só tem paralelo na semana da cerveja de Frankfurt. É uma época de boas-vindas para os que chegam e um tempo de despedidas para os que terminam o seu percurso académico, por isso é que se canta que Coimbra tem mais encantos na hora da despedida.





