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A irmã do meio

Escrito por 

 

Roberto Jardim Huber é o actual proprietário da Quinta do Pomar, no Funchal. Uma propriedade com história que pretende abrir as suas portas para o mundo no próximo ano. Venha conhece-la.

As origens da minha família remontam ao Brasil, do lado da minha mãe havia um banqueiro de nome João José Rodrigues Leitão que veio para à Madeira, era muito rico e comprou 3% da ilha, do mar até a Serra, no ano do senhor de 1840. Prosperou nesta terra com a sua casa bancária, a firma Castro& Leitão, até que veio a guerra entre França e Inglaterra e como muitos que tinham bens em solo francês, perdeu tudo. Que ironia! Chegou aos 30 anos abastado e formoso e no fim da vida com mais de 80 anos estava falido, tinha perdido muito dinheiro. Mas, era um homem com sorte, já que foi salvo pelo filho mais velho do seu irmão Manuel, João José Rodrigues Leitão, seu homônimo e sobrinho, que tinha vindo da misteriosa e perigosa África ostentando o título de Visconde Cacongo, outorgado por Don Luís I, graças ao seu inigualável mérito e tacto como negociador da paz, em nome do Rei de Portugal, entre os reinos de Cabinda, Massabe, Luango, Chinchocô e Mambuco Manipolo. Desta forma inusitada, João José Rodrigues Leitão passa a ser dono e senhor de todo o património do tio que acabou por ficar na família.
A quinta do pomar por ordem do senhor primeiro visconde, no início do século XX, foi a sede do negócio da madeira de eucalipto, foi ele que introduziu esta árvore na ilha e plantou vários hectares desta espécie arborícola lucrativa, já que não havia ferro para as construções. A casa-mãe era mais pequena, porque a família não vivia propriamente ali. Era utilizada como habitação de verão, de férias, porque todos viviam na Quinta da mãe dos homens, João José possuía ainda uma outra quinta mais encima, a do pico do infante, o que o tornava um dos homens mais ricos e prósperos da Madeira.

 

 

 
A 22 de Junho de 1901 tem lugar um acontecimento que irá marcar indelevelmente a história da ilha e da quinta, a chegada do Rei Don Carlos e a rainha Dona Amélia. Uma estadia triunfal de festas e cerimónias ininterruptas que muito honraram os madeirenses e em particular, os viscondes de Cacongo que tiveram o privilégio de oferecer as suas majestades reais um laudo e longo almoço na Quinta do Pomar. Contudo, nem tudo eram rosas, o filho mais velho de João José tinha morrido em Lândana e ele não tinha herdeiros directos que pudessem gerir toda aquela herança depois de 1925, ano da sua morte. Mas, os dados estão lançados e a sorte é dos audazes, o segundo visconde de Cacongo passa a ser Carlos Ernesto Rodrigues Leitão, sobrinho de João José, filho do seu irmão Pedro Petropolitano Rodrigues Leitão, o jovem viu a sua pretensão ao título ser confirmada por el rei Don Manuel II, já no exilio em Londres. O novo visconde como qualquer homem da sua época era um bom vivant, solteiro e como tal gostava de mulheres. Convenientemente tinha uma "governadora" em cada uma das quintas. No Pomar, mandou construiu a capela, que é uma réplica da que existe na Quinta mãe dos homens, na Rochinha, ampliar a casa e ainda criar uma lagoa. Maldição ou não, o facto é que nenhuma delas lhe deu filhos e mais uma vez o património fica sem herdeiro directo em 1958 e sem título, já que por esta altura não havia monarquia em Portugal e ninguém que pudesse confirmar o alvará de visconde. A quinta do pomar passa então para mim, sobrinho neto de Carlos Leitão, eu, Roberto Jardim Huber, sem título.

 

 
Do passado da Quinta do Pomar actualmente só restam os ecos dos fantasmas que habitaram a casa, uma tropa de almas como costumo dizer, como foi o caso de uma irmã da minha avó que morreu quando tentou saltar uma fogueira, os meus convidados diziam-me que viam uma menina num dos quartos dos fundos. Contudo, não se assustem, entretanto todos foram convidados a sair educadamente por um exotérico. E só para terminar, em 1960, no Portugal Republicano, Américo Tomaz, o presidente da República agraciou-nos com a sua visita para a inauguração da entrada da Levada dos Tornos que fica nas traseiras da herdade. Actualmente, a propriedade com 40 hectares produz vários tipos de fruta, que plantámos para manter o espirito do nome e desenvolvemos projectos de agricultura biológica. Estou a renovar e recuperar a casa-mãe e da capela, porque pretendo abrir a Quinta do pomar ao público e aos turistas. Espero que seja para o ano. Não é para ficar, é só para visitas.

 

1 comentário

  • Ligação de comentário weightlossrumor quarta, 28 outubro 2015 10:50 postado por weightlossrumor

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