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As desertas convidam

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Comemorações de um quarto de século de existência com sabor a sal.

Completar 25 anos de existência como reserva natural é obra. Ainda mais tendo em conta as inúmeras dificuldades que tiveram que enfrentar os ecologistas, cientistas, guardas da natureza, voluntários e até políticos que ao longo deste período de tempo de tudo fizeram para transformar estas ilhas quase áridas e inóspitas num santuário para a vida marinha. E não é que conseguiram? Hoje as Desertas são um exemplo de sucesso e não é para menos. Em dia de aniversário o parque natural da Madeira convidou inúmeros anónimos e personalidades para um dia pleno de sol que teve como objectivo assinalar a efeméride e basta olhar em volta para avistar os resultados...

 

 

 

A vegetação rasteira e endémica já brota inesperadamente do solo cor de telha e cinza. Os trilhos bem delineados impedem deambulações que podem por em causa este frágil ecossistema. Os guardas, o exercito sempre alerta em defesa destes organismos vegetais e animais, cujas armas são sorrisos, não se limitam a chamar à atenção dos visitantes mais distraídos, explicam calmamente e entusiasticamente a importância de cada planta, cada ave e cada mamífero para o equilíbrio natural destas ilhas. Á nossa disposição, no calhau, colocaram óculos de mergulho que permitem investigar os fundos da pequena baia. É um mergulho nas águas azuis-turquesa cristalinas que se torna ainda mais apetecível num dia de calor intenso. Ao submergir o primeiro que se avista são várias espécies de peixes coloridos que deambulam entre os rochedos vulcânicos, diria que alguns são mesmo curiosos, já que não temem a presença humana. A rocha que antes se vestia de cinza, agora é revestida por uma vegetação verdejante. Há mesmo uma parede que se prolonga quase na vertical até o fundo arenoso, que denominei: o muro dos ouriços gigantes, e não se trata de um eufemismo, os seus picos consideráveis e imponentes cobrem todas as pequenas falhas rochosas como se trata-se de uma plantação. Entre o rochedo e as areias avistei mais do que um formato inusitado, que afinal esconde peixes mais tímidos, como linguados. As salemas lembravam-me manadas a pastar, em movimentos ondulantes alimentavam-se impávidas e serenas dos pisos cobertos de algas próximos da rebentação, apesar dos muitos curiosos olhos humanos que as perscrutavam. Os bodiões parecem ganhar cores ainda mais intensas nestas ilhas. É como estar perante um aquário gigante, a diferença reside em que estamos dentro dele. É a serenidade em estado puro entrecortado apenas pelo ruido da nossa respiração.

De volta a terra a saga pela paisagem inóspita contínua alimentada por sons inusitados, pequenos grupos de músicos tocam ao longo do trilho várias peças musicais o que ainda tornam este dia um acontecimento ainda mais especial, para o gáudio dos visitantes. Mas, o inesperado acontece sempre nas ilhas encantadas, de súbito abate-se uma tromba de água que molha tudo e todos e assinala de certa forma a hora de partida. Na despedida, deixamos as Desertas embalados pelo som de uma gaita-de-foles no topo de um rochedo e somos brindados pela companhia de um bando de garajaus, pequenas aves brancas que mais parecem andorinhas e as famosas cagarras. Até a próxima visita...

 

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