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Do céu ao mar

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É mais uma passagem pelos trilhos da ilha da Madeira.

A nossa caminhada começa a exatamente a 1862 metros de altura, no Pico Ruivo, bem acima das nuvens, numa manhã fria que se adivinha quente rodeados por uma natureza áspera e quieta, salpicada por um manto verde e amarelo proveniente de várias plantas em inusitado uníssono colorido e envoltos por um silêncio possante que é apenas entrecortado pelo sibilar do vento e os ruídos curtos da nossa respiração. Um dia perfeito para uma descida que vai terminar junto ao mar, por um trilho que muda drasticamente de paisagem ao longo dos seus 10 quilómetros de percurso. Vamos em direção à Santana até o Pico das Pedras, de onde se avista o homem em pé, uma formação rochosa basáltica imponente que é uma espécie de porta de entrada para a paisagem endémica da ilha, a Laurissilva, cujas árvores altas e frondosas albergam musgos e líquenes que fazem lembrar vestimentas que adornam os seus troncos e ramagens de vários tons de verdes, é como entrar numa floresta encantada, acobertada pela neblina refrescante que a acaricia com pequenas gotículas brilhantes de água e cujos rebordos são enfeitados com feiteiras e flores silvestres de vários tons, desde o Pico das Pedras até as Queimadas de onde se já se avista a entrada para as veredas do Caldeirão Verde e do Inferno, mas isso fica para outro dia.

Estamos de partida para a Achada do Gramacho através da Quinta Furão seguindo em direção até o calhau de São Jorge, através do chamado caminho real, construído no início da colonização da ilha. Este acesso pedonal não é nada mais, nada menos que um viaduto larguíssimo em comparação com alguns dos acessos da ilha que foi mandado construir como o próprio nome indica por um rei português, estradas calcetadas com pedras que tinham como objectivo facilitar o acesso das populações de um ponto a outro da ilha, por entre os inúmeros feudos que pertenciam a igreja e a pequena nobreza local aos quais de outra forma não lhes era possível aceder até o calhau onde os esperava uma embarcação que os iria levar a outras paragens, por ventura até a capital, o Funchal. Trata-se de uma descida em zigue-zague de cerca de 1 quilómetro, que dura cerca de quarenta minutos, por entre rochedos cinzentos e árvores solitárias e que termina ao passar a ponte, por onde passa o ribeiro da São Jorge, desembocando nas ruínas do antigo forte de que restam apenas as suas paredes e um portão em pedra, mesmo em frente ao mar bravio do Norte, sarapintado de fortes rochedos. Ao lado, o caminho continua, mas a nossa última paragem é aqui, diante deste oceano azul outrora assolado por piratas que se atreviam a navegar por entre estas águas revoltosas em busca de tesouros para pilhar. Ao olhar para estes resquícios fantasmagóricos quase custa a acreditar nesse passado tão incerto, duro e difícil dos primeiros ilhéus que aqui viveram, pois o único que oiço é o ruído do baloiçar das pedras ao sabor das ondas e sinto na boca arfante o sabor salgado do mar.

http://www.madeira-fauna-flora.com/index.php/en/walks-and-tours

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