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O natal das ilhas encantadas

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As tradições fazem da quadra natalícia uma época muito especial para os madeirenses.

Natal diz o chavão é quando os homens quiserem. Não é verdade, na Madeira a quadra natalícia ao contrário do resto do território é vivido de uma forma muito intensa e engloba uma série de tradições que a tornam única em Portugal. Tudo começa e acaba com a sagrada família. O erguer de um presépio é um dos primeiros momentos que envolve a família nesta época, todos participam. Primeiro, a mãe planta o trigo para adornar o cenário que se ira montar, os mais pequenos pintam o papel para imitar a terra vulcânica, todos vão até serra buscar fetos para colocar estrategicamente junto da manjedoura, depois desembrulham-se as figurinhas de gesso em volta da gruta onde esta o menino jesus, a virgem maria, são José, a vaca e o burro (a tradição continua mesmo que o papa tenha proferido que não existem provas que estes animais estivessem presentes no miraculoso evento!) e colocam-se os sapatinhos, um espécie de orquídea que é tradicional desta época. Na cozinha preparam-se as broas de mel, os bolos e os licores que enchem os compartimentos de odores saborosos que são oferecidos aos amigos e familiares que vem visitar o presépio.

Outra das grandes tradições natalícias madeirenses são as missas do parto. De madrugada, por volta das cinco horas da manhã, fiéis e menos fiéis encetam a estrada na noite escura em direcção a igreja onde o padre da paróquia celebra desde o dia 16 de Dezembro até a véspera de natal, uma homilia em honra a nossa senhora, maria, mãe de Deus. É um momento de grande alegria para as populações locais que até os nossos dias mantém este hábito que remonta à colonização das ilhas. Sinos, cantos e hinos enchem as ladeiras e os caminhos ao som de rajões, violas e braguinhas, autênticas romarias que terminam ruidosamente no altar da igreja. Na saída já o sol espreita, mas as pessoas ainda imbuídas pelo espirito natalício conversam, riem e bebem uma poncha alegremente, antes de mais um dia de trabalho e despedem-se com um até amanhã na missa.

A noite do mercado dos lavradores no Funchal é a que reúne mais gente, no dia 23 de Dezembro, os agricultores e produtores de toda ilha colocam os seus produtos frescos para a ceia de natal à venda pela noite dentro até de madrugada. São as últimas compras antes da véspera do dia do nascimento de cristo e são celebradas com uma festa de arromba. Há música, despiques, bebidas e sandes de carne vinho e alhos nas ruas que fazem as delícias de miúdos e graúdos. É uma multidão que ocorre a cidade para cumprir mais uma das épocas preferidas dos madeirenses, o natal e garanto que ainda é o que era a tradição, porque esta mais viva do que nunca! Feliz Natal!

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