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Os normais

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Inserido no programa da encludança, dinamizado em parceria pela coreógrafa Clara Andermatt e por Henrique Amoedo, teve lugar uma acção de formação intensiva com profissionais, maioritariamente da área da dança e também de outras áreas artísticas como a música, o teatro, o vídeo ou a performance. Um encontro que reuniu cerca de 20 intérpretes e criadores com e sem deficiência e pretende proporcionar experiências, olhares e reflexão sobre diferentes formas de expressão e comunicação.

O viver em sociedade impõe modelos de comportamento, sociais, estéticos e culturais aceites por uma larga maioria, mas será que a diferença não merece um espaço cativo nesse conjunto de normas que nos regem? Afinal somos todos assim tão iguais? Então, como se pode ser normal na diferença? Onde se traçam os limites de uma normalidade aceite pela maior parte do mais comum dos cidadãos? Ou serão os normais afinal todos aqueles que assumem a sua diferença sem dar-se ao trabalho de encontrar desculpas pela forma como pensam, como vivem o seu quotidiano e se apresentam perante à sociedade?

  

Thiago Soares e Flávia Cintra são ambos muito diferentes...nas suas respectivas normalidades. Ele assume o seu corpo com uma tela que transforma ao seu bel-prazer, que usa de forma consciente mesmo que signifique impôr dor. As suas tatuagens e pircings são apenas um desses estágio da transformação do ser. Há também o resto, os seus fluídos corporais que o fascinam e que utiliza activamente nas suas performances públicas artísticas. São todas estas facetas do Thiago que compõem a sua identidade e sem as quais mergulharia numa profunda depressão.

Ela, por sua vez, ostenta um corpo imobilizado, um aspecto da sua aparência que exibe com naturalidade. Não reflecte em nada a sua identidade como mãe de gémeos, profissional e cidadã. Flávia levanta-se todos os dias a mesma hora, prepara os filhos para escola e sai para o trabalho como outra qualquer mulher. Assume que não sonha com andar, que nada acrescentaria à aquilo que já possui e conquistou mesmo numa cadeira de rodas...a sua felicidade.

 

 

 

O grupo do centro de actividades ocupacionais de São Vicente, transformou também todas essas questões em dança, através de uma coreografia orientada por Telmo Ferreira e Joanna Ako, que reflecte essa viagem pelo dia-a-dia de pessoas com deficiência.
O primeiro momento iniciasse ao cair da noite, envoltos nos seus cásulos, protegidos das intempéries e do resto do mundo que desconhecem e de certa forma temem. O dia amanhece e com os primeiros raios solares iniciasse um novo quotidiano, o ter de sair de casa, o caminhar pelas ruas da cidade e enfrentar o busílis constante da sociedade, como explica o coreógrafo, "sendo que nenhum deles tinha alguma vez dançado na sua vida começámos por discutir o que gostavam ou não de fazer. Seleccionámos uma série de momentos que tinham um significado especial, o transporte foi um deles. A confusão das caminhadas, o stress que é algo que não estavam habituados, antes eram transportados para todo o lado e agora tem de ser autónomos, tem de andar de autocarro, de juntarem-se à sociedade e então treinámos todas essas alterações transformando-as em passos. Esse sentimento foi transportado para a dança".

O segundo momento é um processo mais calmo, fluído, simboliza uma certa introspecção, a consciência que "não estou para me chatear, não estou para encarar esta minha sociedade, porque vivo no meu mundo". Mas, depois o olhar recai sobre o espelho não sabem como encarar-se dentro dessa imagem que se reflecte. Afinal, já sou normal? A história do colectivo vai sendo assim pouco a pouco alinhavada, primeiro de forma individual e depois em conjunto, através de vários estilos musicais que reflectem as sonoridade de que gostam, que ouviam em casa. São corpos que se entregam à dança e demonstram quem são. Apenas pessoas que encontraram a sua própria forma de serem felizes e de bem com a vida.

Em última análise não são todos normais?

1 comentário

  • Ligação de comentário google advertising programs sábado, 13 dezembro 2014 20:48 postado por google advertising programs

    Wow that was unusual. I just wrote an really long comment but after
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    well I'm not writing all that over again. Anyways, just wanted to say excellent blog!

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